segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Ordem Martinista e Ordem dos Filósofos Desconhecidos

Grande é a confusão nascida entre os estudantes da doutrina martinista acerca da transição do movimento livre de martinismo para a formalização deste como Ordem. A estrutura recebida na iniciação livre é, e sempre foi, de uma única transmissão chamada de S.’.I’.’, passada de Louis Claude de Saint-Martin aos seus amigos íntimos, que frequentavam suas reuniões informais, verdadeiros sarais espiritualistas que congregavam Homens de Desejo. Não havia Ordem, graus, rituais, apenas a Obra do N:::V:::M::: que era discutida e VIVIDA por todos ao seu redor, em uma formação de Mestre – Discipulo, praticada especialmente através da Oração Externa e Interna.
Quando da percepção, anos depois, pelo Irmão Papus da existência desta transmissão espiritual advinda de LCS-Martin, que chegou até muito de seus conhecidos contemporâneos, e temendo o desaparecimento da mesma, trocou sagrações com Chabouseau e assim reafirmou qualquer dúvida da transmissão legada a ele por Delaage. Vejamos que esta transmissão martinista é identificada pela singela sigla de S.’.I’.’, fundamentada na Teosofia de Saint-Martin. 
Decide então em 1882 dar início a uma organização formal que CONGREGASSE aqueles que receberam a transmissão do Mestre, Filósofo Desconhecido, como este o fazia em seus sarais espiritualistas criando a Ordem dos Filósofos Desconhecidos. Os membros Livres Iniciadores martinistas, possuíam as mais diversas procedências e variadas origens, que se reuniam sob uma ritualística baseada tanto no Rito dos Elu Cohen como no chamado Rito Retificado de Saint Martin, ambos maçônicos, instituindo três graus: SI, PI, LI. Aqui fica instituída uma ORGANIZAÇÃO que CONGREGA martinistas, mas não transmitia a iniciação de Saint Martin! 
Visando então possibilitar o acesso à esta transmissão àqueles que não eram martinistas ainda, criou em 1888 a Ordem Martinista, que visava sim transmitir a influência espiritual de Saint Martin, ou seja, o chamado S.’.I’.’, formando assim uma escola que formasse os S.’.I’.’ que desejassem participar da Ordem dos Filósofos Desconhecidos. Esta sim dividia os estudos de SI em três etapas: SI (I) ou Associado, SI (II) ou Iniciado e SI (III) ou propriamente um SI, pronto então à participar da Ordem dos Filósofos Desconhecidos, ali sendo sagrado Filósofo Desconhecido, com a possibilidade ainda de tornar-se um Livre Iniciador. Com as ramificações da Ordem Martinista, a Ordem dos Filósofos Desconhecidos tornou-se os Círculos de Filósofos Desconhecidos das Ordens Martinistas, e aquilo que havia sido criado para comungar martinistas, acabou tornando-se um punhado de grupos de martinistas separados por diferenças impostas por pequenezas humanas.

+ Confraria de Estudos Antigos

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Carta de Larmenius

Eu, Irmão João Marco, o armênio de Jerusalém, pela Graça de Deus e pelo grau mais secreto do Venerável, e mais santo Mártir o Grande Mestre da Cavalaria do Templo (à honra e glória).
Confirmado pelo Capítulo Ordinário da fraternidade e sendo distinto com o mais alto e supremo mestrado de toda a Ordem do Templo, para todos àqueles que vejam esta Carta de Decreto, desejo saúde, saúde, saúde.
Saibam todos aqueles do presente e do futuro que, debilitadas minhas forças pela avançada idade, e tendo tomado consciência dos graves assuntos e levando à cabo o peso do governo, à maior glória de Deus e proteção e segurança da Ordem, da Fraternidade e seus estatutos, eu, humilde Mestre da Cavalaria do Templo, confio o Supremo Mestrado à mãos mais fortes. Para tal, com a ajuda de Deus e com o consentimento de toda a Suprema Assembléia de Cavaleiros, confiro mediante este decreto ao eminente Comandante e querido irmão Teobaldo de Alexandria, o supremo Mestrado da Ordem do Templo, sua autoridade e seus privilégios, com poder, de acordo com as condições do tempo e interesses da época presente, à conferir a outro irmão, que ostente a mais alta distinção em nobreza de origem, de caráter honrado, o mais alto e Supremo Mestrado da Ordem do Templo, o qual permitirá preservar e perpetuar o Mestrado, de modo ininterrupto de sucessores, garantindo a integridade dos estatutos.
Ordeno ainda que o Mestrado não poderá ser transferido sem o consentimento do Capítulo que será convocado quando da ocasião. Quando isto ocorrer que o sucessor seja eleito por votação entre os cavaleiros. Porém, para garantir o zelo das funções do cargo Supremo seja cumprido, que haja de hoje em diante quatro Vigários do Grande Mestre que detém o poder supremo, a eminência e a autoridade sobre a totalidade da Ordem, sem prejuízo do direito do Grande Mestre. Os Vigários deverão ser eleitos pelos membros mais antigos da Ordem, de açodo com a ordem de sua função. Fica este estatuto acordado sob juramento (ratificado por mim e pela irmandade) do mui santo, venerável e Mestre, o mártir, à honra e glória, Amén!
Finalmente, por decreto do Capítulo Supremo, pela autoridade a mim confiada, desejo, digo e ordeno que os templários escoceses, desertores da Ordem sejam amaldiçoados por anátema e que eles e os irmãos de São João de Jerusalém, espoliadores dos bens da Cavalaria (tenha Deus misericórdia), sejam marginalizados do círculo do Templo agora e no futuro.
Eu selecionei símbolos desconhecidos para que sejam ignorados pelos falsos irmãos e sejam transmitidos oralmente aos nossos cavaleiros fiéis, desde já tendo providenciado maneiras de revelá-los apenas àqueles que conheçam e guardem o Capítulo Supremo.
Estes símbolos serão apenas revelados depois da devida investidura e consagração do cavaleiro, de acordo com os Estatutos, direitos e costumes da Ordem dos companheiros da Cavalaria do Templo e que foram transmitidos ao supracitado eminente Comandante, como chegaram às minhas mãos pelo Venerável e mui sagrado Mestre, o Mártir, à sua honra e glória. Assim seja e assim será, Amém!
Eu, Johannes Marcus Larmenius, entrego o presente aos 18 dias de fevereiro de 1324.
Eu, Teobaldo, recebo o grau de Grande Mestre com a ajuda de Deus, no ano de 1.324.
Eu, Arnaldo de Braque, recebo o grau de Grande Mestre com a ajuda de Deus, no ano de 1.340 d. J.C.
Eu, Juan de Clemont, recebo o grau de Grande Mestre com a ajuda de Deus, no ano de 1.349 d. J.C.
Eu, Beltrán Duguesclíne. No ano de Cristo 1.357.
Eu, irmão Jean d’Armagnac no ano de 1.381.
Eu, humilde irmão Bernard d’Armagnac, no ano de Cristo 1.392.
Eu, Juan d’Armagnac no ano de Cristo 1.418.
Eu, Juan Croviacensis no ano de Cristo 1.451.
Eu, Robert de Lenoncoud em  1.478.
Eu, Galeas Salazar, humilde irmão da Ordem do Templo no ano de Cristo 1.496.
Eu, Felipe de Chabot... em 1.516 d. J.C.
Eu, Gaspar Cesenia Salsis de Choubaune em  1.544 d.J.C.
Eu, Enrique Montmorency ... 1.574 d. J.C.
Eu, Charles Velasius (de Valois) ... Anno 1.615.
Eu, Juan de Durfort de Thonass ... Anno 1.681.
Eu, Felipe de Orleáns ... 1.705.
Eu, Louis Augusto de Borbón de Maine ... Anno 1.724.
Eu, Borbón Conde ... 1.737 d.J.C.
Eu, Luis Francisco de Borobón-Conty ... 1.741.
Eu, de Cosse-Brissac (Luis Hércules Timoleón)... 1.776 d.J.C.
Eu, Claudio Mateo Radix—de-Chevillon, mestre Vigário dol Templo, vítima de grave enfermidade, na presença dos irmãos, Próspero Miguel Charpentier de Saintot e Bernard Raymond Couchant, Preceptor Magno, entrego estas cartas decretais confiadas a mim em tempos difíceis por Luis Timoleón de Cosse-Brissac, Grande Mestre do Templo, ao irmão Jacques Philippe Ledru, mestre vigário do Templo de Messines para que em seu devido momento faça uso destas com o intuito de perpetuar a memória de nossa Ordem, segundo o rito oriental, 10 de junho de 1804.
Eu, Bernard Raymond Fabre Cardoal de Albi, tendo obtido o voto de aprovação de meus companheiros mestres vigários e meus irmãos Cavaleiros do Templo, aceito o grau de Grande Mestre aos 4 de novembro de 1804.
 
 
Tradução : + Confraria de Estudos Antigos

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A Igreja Joanita dos Cristãos Primitivos

Este teria sido o nome da Igreja propagado por aqueles que não foram membros da revivência co-fundada por Fabré-Parlaprat e um homem chamado Mauviel, eclesiástico consagrado em Paris em 1800 como Sacerdote pelo Bispo Constitucional de Cayes no Haiti. Fabré-Palaprat foi aparentemente ordenado Sacerdote pelo Bispo de Lot (com votos renovados por Mauviel). O Primaz da Igreja Joanita foi certo Monsenhor Machault, consagrado pelo Monsenhor Chatel da Igreja Joanita. Em 1831 Msr. Chatel recebeu o título de Bispo de Gauls. A Igreja Joanita enfrentou muitas dificuldades, primeiramente pela resistência à introdução da nova doutrina Joanita por Fabré-Palaprat e posteriormente, com a morte de Fabré-Palaprat em 1838, tanto a Ordem do Templo quanto a Igreja Joanita enfrentaram um declínio. Afirma-se que um pequeno círculo de membros franceses e belgas dirigiram suas atividades de modo velado, dando continuidade ininterrupta à “Igreja Crsitã Primitiva” de modo discreto e seleto. Outro fato de destaque é a cisão da Ordem do Templo, após a morte de Fabré-Palaprat, dividindo aqueles que defendiam a Igreja Joanita e os opositores à ela. O próprio Chatel, co-fundador, deu continuidade à obra de Fabré-Palaprat após sua morte, já quanto à Ordem do Templo duas lideranças surgiram, uma por Conde Jules de Moreton de Chabrillan (pró-Igreja Joanita) e outro ramo orientado por Admiral William Sydney Smith da Inglaterra, ambos reconciliados em 1841 sob a direção de Jean-Marie Raoul. De qualquer forma, sob a direção de Jean Bricaud, Bispo e Sacerdote Gnóstico e Ortodoxo que recebeu a sucessão da Igreja através de B. Clément (membro da Igreja Gnóstica Universal de Bricaud), solidificou a união de ambas tradições quando proclamado Patriarca da Igreja Joanita em 1907.
 
 
+ Confraria de Estudos Antigos

 
 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Origem da Igreja Joanita

Em 1804, uniram-se Ledru, De Chevillon, De Saintot e Fabré-Palaprat visando restaurar a Ordem do Templo baseados na carta de Larmenius que, detalhadamente demonstra a transmissão ocorrida desde 1324. Outros documentos foram utilizados para asseverar o restabelecimento da Ordem, incluindo os Estatutos Manuscritos de 1705. Ledru obteve estes documentos através da venda de propriedades do Duque de Cosse-Brissac, Grande Mestre da Sociedade D’Aloya, que se estabeleceu em Paris em 1789. A sociedade afirmava possuir a continuidade histórica da Ordem do Templo medieval. De acordo com estes documentos, a Ordem teria sido restabelecida em 1705 pelo Duque D’Orleans utilizando a carta de Jean-marc Larmenius, pretenso sucessor de Jacques De Molay.

Fabré-Palaprat afirmava ainda possuir uma sucessão apostólica de São João, o Divino, e baseado nisto fundou ainda a Santa Igreja de Cristo em 1828, erroneamente divulgada como Igreja Joanita dos Cristãos Primitivos. Sua Igreja Joanita (por sucessão) tornou-se estreitamente ligada aos movimentos franceses neo-templários e tornou-se herdeira, graças a Jean Bricaud e outros, da sucessão apostólica ortodoxa.

Pedra fundamental de sua doutrina é o Quarto Evangelho, chamado de Evangelikon, precedido de uma introdução e comentário chamado Levitikon, escrito por Nicephorus, um monge grego de Atenas. A Igreja Joanita fundamenta-se nesta versão do Evangelho de João, encontrado por Palaprat em Paris em 1814. Seu manuscrito é composto de duas partes:

1) A Doutrina Religiosa, incluindo rituais de ordenação divididos em Nove Graus, pertencentes a parte interna da Ordem do Templo; uma descrição da Igreja Templária de João e uma explanação sobre o termo “Joanita”.

2) O Evangelho de São João, com os dois últimos capítulos perdidos. Não constam nesta versão as miraculosas histórias de transformação de água em vinho, a multiplicação de peixes e pães, o retorno da morte de Lázaro, e certas referências a São Pedro. Em suma, o Levitikon é a versão condensada do Livro de João, que também afirma que “ Nosso Senhor foi um Iniciado nos Mistérios Egípcios”.

Em 1811, a Ordem publicou o "Manuel des Chevaliers de l'Ordre du Temple” que foi impresso em número restrito e circulou apenas entre os membros da Ordem. Ambas publicações “Manuel dês Chevaliers” e o “Levitikon” teriam sido retransmitidos desde os tempos de Jacques De Molay.

Fabré-Palaprat recriou a história da Igreja Joanita à partir destes manuscritos. De acordo com Jean-Marie Ragon (1842), os Templários “aprenderam a partir dos iniciados do Leste, uma certa doutrina judaica atribuída à São João, renunciando à doutrina de Pedro e tornando-se Joanitas.
 
+ Confraria de Estudos Antigos

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Linhas gerais da Doutrina Martinista

Após a morte de seu Primeiro Mestre, Martinez de Pasquallys, o Filósofo Desconhecido, Nosso Mestre Louis Claude de Saint-Martin, um Elu-Cohen e membro da Ordem dos Filósofos Desconhecidos, continuou a transmitir a Iniciação recebida às pessoas que ele considerava meritórias, que por sua vez replicaram iniciando a outros. Tal atividade não foi conduzida sob a forma de uma organização e sim pela transmissão de pessoa a pessoa, uma Iniciação Livre, início do Martinismo como movimento filosófico e espiritual.
Foi Papus quem recebeu a Inicia­cão martinista de Henri Delaage e, mais tarde, descobriu que vários de seus amigos também a haviam re­cebido a mesma através de diferentes fontes. Papus sentiu que a Iniciação era valiosa demais para que sua perpetuação fosse deixada a transmissões individuais; portanto fundou a Ordem Martinista, principalmente, para proteger e assegurar sua sobrevivência, culminando na formação do primeiro Supremo Conselho em 1890.
Em linhas gerais o Martinismo aceita a idéia da reencarnação, mas a base da Ordem é a doutrina de Louis Claude de Saint Martim, que enfoca uma ascese espiritual e uma conduta essencialmente cristã, inspirada nos ensinamentos de seu Primeiro Mestre, Martinez de Pasqualis e seu Segundo Mestre Jacob Boehme.
Entendemos que, ao nascermos, temos nova oportunidade de evoluirmos e atingir a Iluminação, nesta doutrina chamada de Reintegração, que nada mais é que o retorno ao estado glorioso de Adão Kadmon. A evolução humana é entendida nos três níveis da existência humana: física, moral e espiritual, trata-se do “retorno à casa do Pai”.

O desenvolvimento posterior da presença Crística é obra somente do Iniciado que terá o amparo do Ishim (Mestre Passado) da Ordem, posteriormente, quando o Iniciado estiver na prática do Grande Arcano, ou seja, "quando o discípulo estiver pronto, o Mestre aparecerá", ele terá acesso ao seu próprio Mestre, e juntos, homem-matéria e homem-espírito, irão ascender pelos canais da Árvore da Vida.

+ Confraria de Estudos Antigos

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Oração - Igreja Gnóstica

VINDE, TU QUE ERGUES O VÉU DO MISTÉRIO.
VINDE, TU MÃE DOS SETE CENTROS, QUE RESIDE NA HARMONIA DAS OITAVAS
VINDE, TU QUE EXISTES ANTES QUE OS OUTROS,    EM CINCO SENTIDOS:
PENSAMENTO, REFLEXÃO, MENTE, SENTIMENTO E RAZÃO, E CONSENTE QUE PARTICIPEMOS DA TUA SANTA GRAÇA, NÓS QUE NASCEMOS MAIS TARDE.
VINDE, TU E GUIAI MEU CORAÇÃO ATORMENTADO, ASSIM MEUS SENTIMENTOS PUROS PODEM BROTAR DAQUELA DOCE FONTE.
VINDE, SANTA VONTADE, ENERGIA DIVINA VOLITIVA, E TRANSFORMA A MINHA VONTADEFAZENDO-A UNA COM A TUA.
VINDE, PODER SUPREMO E, DESCEI ATÉ ÀQUELES QUE CONHECEM O MISTÉRIO.
VINDE VALOR SUBLIME E DÁ-ME A TEMPERANÇA E A FORÇA QUE FOR NECESSÁRIO PARA POSSUÍ-LO.
VINDE SANTO SILÊNCIO, QUE FALAS DA MAGNIFICÊNCIA QUE ELE ENCERRA, E DESVELAS PARA MIM TEU MISTÉRIO.
DEIXA SANTA POMBA DAS PLUMAS CÂNDIDAS, PROTEJE-NOS, MÃE MÍSTICA, TU QUE ÉS MÃE DOS GÊMEOS
VINDE SOBRE NÓS, Ó SANTO REGOZIJO DOS CÉUS, POUSA EM NOSSAS CABEÇAS, TU QUE CONDUZES O FIO ÁUREO QUE INTERLIGA TODOS NÓS E AJUDA-NOS A RECEBER A  LUZ, TU QUE ME CHAMASTE.
INSPIRE TODOS AQUELES QUE PARTICIPAM DESTE MISTÉRIO INEFÁVEL, PARA QUE SEJAM ILUMINADOS E PURIFICADOS.



De um Rito Gnóstico

terça-feira, 29 de abril de 2014

O que é a Tradição?

 Em nossa Confraria, entendemos o termo “Tradição” como sinônimo de uma corrente espiritual ininterrupta tanto externamente como internamente, sendo um suporte válido como agente divino.
 A sucessão externa diz respeito àquela histórica, remontando o iniciado ao fundador da corrente da Tradição a que remonta, mais fácil de ser descrita e remontada. Mais sutil e difícil de ser descrita é aquela interna que remonta ao estado de consciência que o iniciador deve demonstrar para além da sucessão histórica. 
Sacerdotes, Adeptos e Iniciados são portadores de ambas sucessões e não apenas da histórica como muito comunmente vemos em organizações modernas de esoterismo. Eis que muitos pseudo-iniciados acabam por perpetuarem tradições a que não estão espiritualmente conectados, possuindo apenas papéis mundanos que nada trouxeram de crescimento ao individuo. O reconhecimento documental, apesar de importante, não é garantia de uma INICIAÇÃO. Observemos os iniciados por suas obras, suas vidas e não pela posse de documentos que, ainda que de origem verdadeira, não surtiram efeito na maturidade ética, emocional e intelectual de seu portador. Aqui estão justificados aqueles que, a despeito de pertencerem a movimentos esotéricos formalmente estabelecidos, possuem alto grau de Iniciação como o amado mestre Phillipe de Lyon. Lembramos: “a Tradição é uma força INVISIVEL e para alcançá-la devemos percorrer o caminho do INVISIVEL”.
A “porta que leva ao caminho do Rei” está no íntimo do coração humano e não impresso em papéis a serem emoldurados e penduradas em uma parede... Pertencer à Tradição significa, portanto, uma formalização do buscador na senda do Altíssimo, que poderá ocorrer junto a uma escola esotérica ou em sua senda solitária.
Jamais podemos nos esquecer que a Tradição, como Força Viva que é, não pode ser trancada em um local ou grupo de pessoas, pois para manter-se conectado, ou desconectar-se desta, basta um deslize de conduta que vá de encontro com as prerrogativas da mesma.


Fraternalmente.
 
Confraria de Estudos Antigos +